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Só metade dos casos de câncer infantil é diagnosticada no país

Taxa de sucesso do tratamento de crianças doentes chega a 80%

Câncer Infantil

O câncer é a doença que mais mata crianças no Brasil, mas é um desconhecido mesmo para parte dos médicos. Com sinais e sintomas que podem ser facilmente confundidos com os de outras doenças da infância, o diagnóstico custa a ser feito e essa demora, muitas vezes, custa vidas. A estimativa do Instituto Nacional do Câncer (Inca) é que cerca de 12 mil novos casos surjam por ano no país, mas só a metade é diagnosticada.

“O câncer infanto-juvenil é uma causa esquecida. Não é tema obrigatório nas escolas de saúde, o que dificulta o diagnóstico e o encaminhamento a um especialista”, diz a oncopediatra da Fundação Sara Albuquerque Costa, Eliana Cavacami. Para chamar a atenção para o quadro, a entidade, que trabalha no apoio a crianças e adolescentes com a doença em Belo Horizonte e Montes Claros, promove neste mês a campanha Novembro Dourado, para levar informações sobre a doença.

Quando diagnosticado no início, a taxa de cura pode ser superior a 80%. “O encaminhamento para um especialista nem é complicado. O diagnóstico é o grande problema”, reforça a oncopediatra do Hospital das Clínicas, Karine Fonseca. Ela explica que em crianças não há prevenção e todas as ações se iniciam a partir do diagnóstico.

Entre os sinais e sintomas estão vômitos e febres sem razão aparente, fraqueza em algum membro, dores de cabeça persistentes, dor nos ossos, manchas roxas e caroços pelo corpo.

Olhos esbranquiçados em fotos também são sinal de alerta. Se a criança ou adolescente apresentar qualquer desses sinais de maneira prolongada e sem causa definida, os pais devem insistir com o pediatra ou clínico para que sejam realizados exames mais apurados.

Solidariedade. O lançamento do Novembro Dourado, no início do mês, foi marcado por momentos emocionantes. Em Montes Claros, o presidente da Fundação Sara, Álvaro Gaspar Costa, raspou a cabeça em solidariedade aos pequenos. Em Belo Horizonte, a médica Eliana Cavacami teve a mesma atitude. “A gente diz aos pacientes que perder os cabelos não é nada, mas é sim. É muita coisa. É o que está na cara. É você sair na rua e dizer para todo mundo: ‘eu tenho câncer’. E a leitura que as pessoas fazem é: ‘coitado, vai morrer”, disse ela.

O gesto foi seguido também por uma funcionária da Fundação, por um cinegrafista que acompanhava o lançamento e, na semana passada, pelo central Douglas Cordeiro, do Sada Cruzeiro. “A gente tenta ajudar com esse apoio moral, mas o gesto não é nada perto da provação que eles passam”, disse o jogador.

Desafio
Look
. A campanha ganhou o Instagram como “Desafio Dourado”. Para participar, basta criar um “look” dourado, marcar @fundacaosara, usar a tag #DesafioDourado e desafiar três amigos.

Flash
Padrinhos.
 A campanha Novembro Dourado ganhou apoio de autoridades e de jogadores. No futebol, abraçaram a causa os atleticanos Diego Tardelli e Leonardo Silva, e os cruzeirenses William e Dagoberto. No vôlei, o líbero Serginho, que já colabora com a Fundação Sara, é um dos padrinhos da iniciativa.

O Tempo