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Multas elevadas para motoristas infratores são aliadas contra a imprudência

PRFConsiderado o período mais crítico do ano, por causa das férias escolares e das festas tradicionais de fim de ano, dezembro é o mês em que a Polícia Rodoviária Federal (PRF) concentra esforços e dá início à operação “Rodovida”. Em Minas Gerais, corredor de acesso a diversos estados do Brasil, a estratégia deste ano será a utilização de vários radares nos trechos onde são observadas mais infrações, principalmente, excesso de velocidade e ultrapassagens proibidas. Quem fala sobre o assunto é o inspetor Aristides Amaral Júnior, responsável pela comunicação social da PRF em Minas.

Nesta época do ano, as pessoas começam a deixar o Estado. Existe algum diferencial na operação de 2014?

O diferencial desse ano, que nós esperamos que traga um impacto positivo, são os aumentos dos valores das multas para ultrapassagens proibidas (os valores podem chegar a R$ 1.915,40, dez vezes superior ao cobrado anteriormente). Acreditamos que isso vá trazer uma mudança de comportamento por parte daqueles motoristas que efetuavam essas manobras. Se considerarmos que aqueles motoristas que foram flagrados em novembro já receberam ou estão recebendo agora as multas em casa, eles vão sentir o impacto, o que deverá ser benéfico na operação de final de ano.

Quando a operação teve início?

Ela começou no último dia 12 e vai perdurar até o final de janeiro. Depois, dá um espaço e volta uma semana antes do Carnaval, estendendo-se até o final do feriadão. Ou seja, a “Rodovida” consiste em dois momentos: o primeiro é a saída de férias e festas, em dezembro, e o segundo é, o Carnaval. Esse é para nós o feriado mais complicado do ano, pela quantidade de dias e pela própria característica do feriado, porque as pessoas muitas vezes interpretam errado e acham que podem curtir na rodovia.

O aumento do valor das multas dá a perspectiva de redução no número de acidentes, na comparação com o mesmo período do ano passado?

Ainda é cedo para afirmar. Em um primeiro momento, na análise que foi feita em relação ao número de multas em âmbito nacional, nós detectamos que as ultrapassagens em faixas contínuas diminuíram, porém, o número de multas por ultrapassagens pelo acostamento aumentou. Pode ser um reflexo, já que caiu um índice, o outro aparenta estar mais alto. Ou também pode ser uma análise equivocada dos motoristas, que passaram a achar que somente as ultrapassagens em faixas contínuas tiveram aumento. Na verdade, não. Qualquer tipo de ultrapassagem irregular, seja ela em faixa contínua, ponte, viaduto, aclive, declive, curva e pelo acostamento também teve reajuste no valor da multa. Vamos até reforçar esse ponto nas campanhas deste mês.

Como a PRF se prepara para a “Rodovida”?

O preparo é feito durante todo o ano. Temos um núcleo de estatística em Brasília e um grupo dentro de cada Estado. Com base nesses mapeamentos, a gente vai focando nossas ações, seja para trânsito ou para criminalidade. Quando necessário, solicitamos o apoio do departamento para envio de policiais de fora, não apenas nos feriados, mas, por exemplo, em casos de assaltos frequentes a ônibus. Essa é a vantagem de ser uma força federal, uma polícia única.

Ao longo desses anos de operação, houve redução de algum tipo de infração? E aumento?

Existem algumas infrações que são mais constantes, até por causa do aumento do número de veículos. Por exemplo, excesso de velocidade, ultrapassagens irregulares, motoristas transitando pelo acostamento, principalmente nos locais em que se formam filas por causa de congestionamento. Mas acreditamos que essa situação vá mudar, não somente pelas multas, que estão mais caras, como também pela presença de radares. Muitos foram instalados pelo Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes) nas rodovias federais do Estado e a PRF recebeu reforços no final do ano passado e início deste ano.

Quantos policiais e radares, em média, chegam a Minas nessa época para reforçar a operação de final de ano?

No ano passado, nós tivemos praticamente dez radares a mais, que se somaram aos nossos 21. Estamos aguardando ainda a definição do departamento, que pode optar por mais ou por menos. Precisamos pensar na PRF em âmbito nacional, ou seja, o planejamento tem que incluir todos os estados da União, por isso, é preciso fazer um mapeamento primeiro. Mas o fato de os feriados caírem no meio de semana, de quarta para quinta-feira, acaba facilitando um pouco, porque muita gente não vai ter como emendar.

Atualmente, em Minas Gerais, quais são os trechos considerados mais perigosos, que têm mais registros de acidentes?

Até alguns anos atrás, em todos os feriados nós soltávamos o mapeamento de alguns pontos considerados mais perigosos, mas passamos a não adotar mais essa postura, porque os motoristas começaram a achar que só aqueles trechos ofereciam riscos. Quando falávamos do trecho da BR-381 entre Belo Horizonte e João Monlevade, que ficou conhecido como “Rodovia da Morte”, as pessoas dirigiam com todo cuidado, mas arriscavam-se no restante da estrada. Nos últimos feriados, passou a não morrer ninguém nesse trecho, mas 10 ou 50 quilômetros à frente. Então, a dica é: nesse período de férias, festas, e, o pior, com a chegada das chuvas, todo trecho torna-se perigoso.

Esse final de ano coincidiu com a concessão de alguns trechos de rodovias à iniciativa privada e algumas delas estão passando por obras. Isso pode trazer mais riscos para os motoristas?

Riscos, não, mas transtornos, sim. As empresas que privatizaram as rodovias têm que ter muito cuidado, é a imagem delas que está em jogo. Um acidente causado por uma obra mal sinalizada vai repercutir negativamente na marca dela. Mas poderão ocorrer congestionamentos, sistema de “siga e pare”. Estamos tentando negociar junto às empresas para que nos períodos de pico elas evitem essas situações. O motorista vai ter que se adaptar a essa nova realidade, porque as obras precisam ser feitas.

E como está a qualidade das estradas federais?

Tem melhorado bastante, principalmente agora, com o processo de privatização. Estatisticamente, nós temos uma faixa de 5% a 10% dos acidentes causados por problemas na pista de rolamento. É um percentual muito pequeno se comparado à falha humana. É lógico que a rodovia tem um fator de importância, mas vai caber ao motorista saber fazer a utilização da rodovia. O motorista que se prepara, que é preventivo, não depende do tipo de rodovia em que trafega. A rodovia Fernão Dias, por exemplo, é a melhor do Estado e nem por isso o índice de acidentes nela diminuiu. Muito pelo contrário, a BR-381 continua sendo a rodovia com maiores registros de acidentes, feridos e mortos do Estado: cerca de 33%, ou seja, um terço. Isso em um trecho de mil quilômetros dos quais praticamente 600 são duplicados e estão em ótimas condições de trafegabilidade.

A PRF precisou mudar de estratégia para lidar com o aumento no número de veículos que trafegam pelas rodovias federais?

Claro, mesmo porque o nosso efetivo não cresceu ao longo dos anos, é praticamente o mesmo de 20 anos atrás. Já que não temos o dom da onipresença, temos que concentrar os esforços em determinadas regiões mais críticas, por meio do trabalho estatístico, da concentração de câmeras e radares fotográficos. A tecnologia passou a ser um grande instrumento para nós e vai melhorar cada vez mais. Com as rodovias privatizadas, chegam as câmeras, que vão se tornar grandes aliadas na fiscalização. Lógico que a presença da viatura policial se faz necessária, mesmo porque ainda existem alguns motoristas que só respeitam a lei na frente da polícia, o que é um erro. A PRF está se adequando a essa nova realidade de muitos carros, muito trânsito, aumento de criminalidade, porque tudo vem junto, a rodovia traz um monte de situações. As atribuições vão só crescendo, mas o meu efetivo não cresce na mesma proporção. Então, para que o trabalho possa ser bem feito, vamos focando, direcionando as ações para determinado local.

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