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Oito maneiras de prevenir um infarto

Medidas que diminuem o risco de formação de coágulos no sangue, como prática de atividade física e controle da hipertensão, protegem a saúde cardíaca

Uma pessoa morre de infarto no Brasil a cada cinco minutos

Uma pessoa morre de infarto no Brasil a cada cinco minutos

As doenças cardiovasculares são a principal causa de morte no Brasil: matam 308 000 brasileiros por ano. Entre elas, a mais letal é o acidente vascular cerebral (AVC). A segunda é o infarto, responsável por 80 000 óbitos anuais, ou uma morte a cada cinco minutos, de acordo com a Sociedade Brasileira de Cardiologia.

O infarto ocorre quando uma artéria coronária fica obstruída e deixa de levar oxigênio e nutrientes ao coração. Essa obstrução é consequência da formação de um coágulo que bloqueia a passagem de sangue e leva à necrose do músculo cardíaco. Quanto mais rápido for o socorro à vítima, menor será o tecido necrosado e, logo, maior a chance de sobrevivência. “Caso a pessoa procure por ajuda até duas horas depois do infarto, a mortalidade é de 3%. Se ela esperar mais de dez horas, o risco de vida é de 30%”, diz Marcelo José de Carvalho Cantarelli, cardiologista do Hospital e Maternidade São Luiz Anália Franco e coordenador da campanha Coração Alerta da Sociedade Brasileira de Cardiologia.

Causas — A principal causa da formação do coágulo é o desenvolvimento de placas de gordura na parede das artérias, a chamada aterosclerose. A lesão aterosclerótica pode ser ocasionada por níveis elevados de colesterol ruim, lesões da camada interna dos vasos, pressão alta, hereditariedade, tabagismo, sedentarismo, stress e diabetes.

Sintomas — Indícios clássicos do infarto são uma dor forte no peito, que dura de 20 a 30 minutos e que pode irradiar no braço esquerdo, costas e mandíbula. São sintomas também palidez, suor frio, náusea, vômito, dor nas costas, falta de ar, cansaço desproporcional, enjoo e dor de estomago.

Em alguns pacientes, no entanto, o problema é assintomático e o diagnóstico só pode ser feito por meio de exames. Diabéticos, por exemplo, não costumam sentir dor durante um infarto, porque a doença altera as terminações nervosas. No caso dessas pessoas, os indícios são falta de ar e cansaço.

Cuidados — Quando há sinais de que um indivíduo está sofrendo um infarto, a recomendação é oferecer a ele três comprimidos de AAS (ácido acetilsalicílico infantil), se não for alérgico à droga. O remédio diminui o coágulo e, por isso, pode salvar a vida da pessoa.

No hospital, o paciente poderá ser medicado com trombolíticos, que desfazem o coágulo, e, nos casos mais graves, submetido a uma angioplastia para desobstruir a artéria.

Como prevenir um infarto

1- Controlar os níveis de colesterol

Um dos principais fatores para evitar acúmulo de gordura na parede das artérias (a chamada aterosclerose) é controlar os níveis de colesterol. Enquanto o colesterol ruim (LDL) deposita gordura na parede das artérias, o colesterol bom (HDL) leva o excesso de gordura para o fígado, de onde ele será eliminado pelo intestino.

Taxas saudáveis de LDL e HDL evitam a formação de placas de gordura, que causam coágulos. “A aterosclerose diminui o calibre do vaso e pode levar até à obstrução do fluxo sanguíneo. Ou ela pode criar uma fissura que exponha o núcleo da placa de gordura. Essa parte, ao entrar em contato com o sangue, origina o coágulo”, explica o cardiologista Cesar Jardim, responsável pelo Clinic Check up do Hcor Diagnóstico, em São Paulo.

Seguir uma dieta pobre em gordura saturada e rica em fibras, praticar atividade física e parar de fumar são medidas que ajudam no controle do colesterol.

2- Praticar atividade física

De acordo com o cardiologista José Renato, do Hospital Samaritano de São Paulo, a atividade física é uma das medidas isoladas mais benéficas para a prevenção do infarto. Hormônios liberados pelo organismo depois do exercício, como a endorfina, relaxam a parede das artérias. A pressão arterial cai, a taxa de glicose diminui e o índice do colesterol bom, que elimina o excesso do colesterol ruim no organismo, se eleva. A recomendação é praticar 30 minutos de atividade física como corrida, caminhada e natação no mínimo três vezes por semana.

3- Não fumar

Substâncias presentes no cigarro, como a nicotina, facilitam a coagulação sanguínea e fazem as placas de gordura se lesionarem com mais facilidade. “O cigarro funciona como uma gasolina para a aterosclerose se formar e se romper”, explica o cardiologista do Hospital e Maternidade São Luiz Anália Franco, em São Paulo, Marcelo José de Carvalho Cantarelli, coordenador da campanha Coração Alerta da Sociedade Brasileira de Cardiologia.

4- Controlar o diabetes

Altas taxas de açúcar no sangue facilitam a formação das placas de gordura na artéria que, por sua vez, podem ocasionar um coágulo. Isso acontece porque o diabetes enrijece a parede interna do vaso (endotélio), ao alterar seu metabolismo. “Além disso, a síndrome desregula o nível de colesterol no sangue, outro fator que favorece a formação de coágulos e a ocorrência do infarto”, explica Marcelo José de Carvalho Cantarelli.

5- Evitar o stress

Quando o organismo está submetido ao stress contínuo, libera uma grande quantidade de noradrenalina, um neurotransmissor que contrai os vasos e favorece a coagulação. “O stress crônico aumenta os níveis de pressão arterial e de glicemia, por exemplo, fatores que elevam o risco de infarto”, afirma cardiologista José Renato, do Hospital Samaritano de São Paulo.

6- Controlar a hipertensão

A hipertensão pode causar lesões nas paredes internas das artérias e torná-las menos elásticas e mais predispostas ao endurecimento. “Esse processo aumenta o risco de infarto por facilitar o depósito de gordura no vaso e, consequentemente, o desenvolvimento da aterosclerose”, diz Cesar Jardim.

7- Manter o peso ideal

A obesidade pode levar ao desenvolvimento de hipertensão e diabetes, fatores de risco para o infarto. Por isso, é preciso monitorar a balança. O cálculo do índice de massa corpórea (IMC), medida que relaciona altura, peso e taxa de gordura, ajuda a determinar se o indivíduo está com o peso ideal.

8- Tomar cuidado ao associar anticoncepcionais e tabagismo

O infarto costuma ser associado ao sexo masculino. A incidência do problema, no entanto, é cada vez maior entre o feminino. Há 30 anos, havia dez homens infartados para cada mulher. Hoje, essa relação é de três homens para cada mulher. Uma das razões é a combinação entre anticoncepcional e tabagismo. O medicamento facilita a coagulação sanguínea, assim como o cigarro. “Os dois fatores somados aumentam o risco de infarto também em mulheres jovens”, diz Marcelo José de Carvalho Cantarelli.

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